2° Jornada de Estudos Africanos

A 2ª Jornada de Estudos Africanos, organizada pelo AYA vem com novas parcerias. O evento será realizado nos dias 5, 6 e 7 de Maio de 2026, no Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e na Fundação Cultural BADESC.

Neste ano, o evento terá como tema “DEIXA PASSAR MEU POVO”: anticolonialismo e imperialismo no tempo presente. O título é referência ao poema de Noêmia de Souza, a homenageada escolhida para esse ano. Figura central da literatura moçambicana, Noémia de Sousa (1926–2002) mobilizou a poesia como forma de enfrentamento às estruturas do colonialismo português. Sua produção insere-se na emergência de uma consciência política africana voltada à denúncia da exploração colonial e à afirmação das lutas coletivas do povo africano. A 2ª Jornada de Estudos Africanos homenageia a autora ao destacar a relevância das epistemologias africanas e a potência da arte como prática de resistência. Ao tensionar narrativas hegemônicas, sua obra ultrapassa seu contexto de produção, permanecendo fundamental para a compreensão das continuidades da colonialidade no tempo presente.

As violências dos passados presentificados tem tomado formas cada vez mais explícitas na medida em que o esgotamento das versões “neoliberais progressistas” – onde a “guerra justa” do ocidente era justificada por racialismos de ordem culturalistas (“levar a democracia”, etc.) – tem sido substituída por um discurso sem eufemismos no que tange ao seu imperialismo e racismo. Imperialismo e colonialidade aqui se cruzam na medida em que o “outro externo” (“árabes”, “iranianos”, “venezuelanos”, etc.) também se somam a construção de um “outro interno” (a cultura “woke”, feministas, LGBTQI+, anti racistas, ‘comunistas’, etc). O caso dos Estados Unidos é emblemático pela combinação tanto da perseguição interna àqueles que reivindicam outras formas de ser/estar diante do hetero-patriarcado-supremacista-capitalista como da escalada de violência externa não só por meio da guerra direta, mas também das formas de controle econômico aos quais tem se tornado rotina na gestão atual (mas também presente em outras gestões).

Entretanto, o caso dos EUA não é isolado, a extrema direita tem avançado em vários espaços reforçando discursos nacionalistas que retomam com bastante pujança ideários racialistas e colonialistas que deram força ao ocidente euro-ocidental em sua época de ouro. Somado a isto o fenômeno do imperialismo se da não só sobre formas “analogicas” de dominação, mas também por meio do colonialismo digital e do racismo algorítmico, indicando assim a necessidade de pensar as lutas anticoloniais e antirracistas articuladas ao domínio destas novas tecnologias. Nesta toada, pretendemos fomentar por meio da 2ª Jornada de Estudos Africanos debates que tragam à tona esse contexto pensado especialmente na chave africana e afrodiaspórica em torno do passado e presente do imperialismo como capitalismo realmente existente.

Cronograma

27 de MarçoAbertura das submissões
13 de AbrilEncerramento das submissões
20 de AbrilResultados e envio das cartas de aceite

Abertura das inscrições para público geral
24 de AbrilDivulgação da programação dos simpósios
04 de MaioFim das inscrições de público geral
05, 06 e 07 de MaioRealização da 2ª Jornada de Estudos Africanos
22 de JunhoData final para envio dos trabalhos completos

INCRIÇÕES DE PÚBLICO GERAL – até 4 de Maio

Programação

Dia 30/04 (quinta-feira)

Noite
19h Abertura da Exposição “Cartografias das Reexistências” da artista Renata Felinto

“Cartografias das Reexistências” é a primeira exposição individual de Renata Felinto em Santa Catarina. A mostra inédita reúne pinturas, fotografias, fotomontagens, vídeos e ações performáticas produzidos entre 2000 e 2021, propondo um percurso que evidencia continuidades, deslocamentos e permanências na trajetória da artista. Com curadoria de Juliana Crispe, a exposição tensiona narrativas coloniais sobre mulheres e pessoas negras, afirmando outras possibilidades de existência, espiritualidade, desejo e autoinscrição.

Local: Fundação Cultural BADESC – Florianópolis
Visitação até 18 de junho
Seg. a sex., das 13h às 19h | Sáb., das 10h às 16h
Entrada gratuita

A exposição é realizada pela Fundação Cultural BADESC e conta com a parceria do AYA Laboratório Pós-Colonial e Decolonial da FAED/UDESC, integrando as comemorações dos 10 anos do AYA e das atividades da Jornada de Estudos Africanos.

Realização: Fundação Cultural BADESC
Parceria: AYA Laboratório Pós-Colonial e Decolonial FAED/UDESC; NUDHA – Núcleo de Diversidades, Direitos Humanos e Ações Afirmativas CEART/UDESC; Armazém Coletivo Elza; Grupo de Pesquisa NZINGA – Novos Ziriguiduns Internacionais e Nacionais Gerados nas Artes Visuais; e do Projeto de Pesquisa Arte Menor – UDESC.

Dia 05/05 (terça-feira)

Abertura da Exposição “Auriflamas — Chamas Douradas: erguer para existir/resistir”
Local da exposição: Hall da FAED-UDESC

18h30 às 20h30 Diálogo Contemporâneo – Mulheres Africanas e Lutas por Emancipação

O diálogo contemporâneo Mulheres Africanas e Lutas por Emancipação propõe deslocar o olhar historiográfico e sociopolítico tradicionalmente centrado em figuras masculinas de liderança anticolonial, para evidenciar o protagonismo das mulheres africanas nos processos de emancipação. Partimos do pressuposto de que as narrativas de resistência feminina oferecem ferramentas teóricas e políticas que ampliam o olhar sobre os processos históricos nas Áfricas, compreendendo as lutas por emancipação como projetos coletivos atravessados pelas  dimensões de gênero e classe.

Iandira Antonio Impanta
Iadira Antonio Impanta, guineense (Guiné-Bissau) mãe, feminista africana, professora substituta no departamento de sociologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- Brasileira (Unilab-Ceará),  doutoranda em Antropologia Social (UFSC), Mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2020), licenciada em Sociologia (2018) e bacharel em Humanidades (2016) ambas pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- Brasileira, membro fundadora do Coletivo para emancipação das mulheres guineenses- (CEMGUI-As Okinkas), em 2023 exerci o cargo de uma das coordenadoras do coletivo, atualmente atuo como uma das responsáveis pela parte acadêmica do mesmo. Meus temas de interesse acadêmico são, relações de gênero, mulheres, política e migração.



Patrícia Teixeira Santos
Professora Titular  em História da África da Universidade Federal de São Paulo, pesquisadora colaboradora do Centro Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória  – Universidade do Porto (Portugal), LAM – Laboratório as Áfricas no Mundo – Instituto de Ciências Políticas da Universidade Bordeaux (França) e do Departamento de Estudos Africanos da Universidade de Dehli (India).

Tathiana Cassiano
Doutora em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC); Mestra em Ensino de História pelo Programa de Mestrado Profissional em Ensino de História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (PROFHISTÓRIA-UDESC) e Graduada (bacharelado e licenciatura) em História Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Professora no Departamento de História e pesquisadora associada ao AYA – Laboratório de Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais e ao Laboratório de Ensino de História (LEH), ambos no Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED/UDESC), e Produtora Executiva na EMITAI Produções Audiovisuais. É vinculada ao Grupo de Trabalho em História da África da Associação Nacional de História, seção Santa Catarina (GT África – SC) e à Rede de Historiadorxs Negrxs.

Dia 06/05 (quarta-feira)

Manhã
8h30 às 11h30 Simpósios Temáticos
Nas salas 108, 202 e 206 – acesse aqui para mais informações sobre os Simpósios
10h às 17h Feira do Armazém – Coletivo Elza
Local: Hall da FAED-UDESC

Noite
19h30 às 21h30 Roda de Conversa – Criações das Reexistências: Ser artista como atitude subversiva

A Roda de Conversa foi proposta no âmbito das contrapartidas da exposição “Cartografias da Reexistência” de Renata Felinto, com curadoria de Juliana Crispe, e integra a programação de comemoração dos 10 anos do AYA Laboratório e da 2ª Jornada de Estudos Africanos. Com participação de Renata Felinto, Juliana Crispe, Cláudia Mortari, Ida Maria Freire e Rita Oyakanmi, pesquisadoras e artistas que trabalham nas intersecções de raça, gênero e classe. A conversa abordará projetos recentes das participantes, articulando prática, pensamento crítico e trajetórias artisticas.
Local: Fundação Cultural Badesc



Renata Felinto
Artista visual, pesquisadoa e professora. Doutora e Mestra em Artes Visuais e especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte. Professora adjunta da URCA/CE, líder do Grupo de Pesquisa NZINGA Novos Ziriguiduns (inter)Nacionais Gerados na Arte. Docente no Programa de PósGraduação Mestrado Profissional em Artes da URCA/CE.




Juliana Crispe
Curadora independente, pesquisadora, professora, arte-educadora, artista visual. Atua como professora em Artes Visuais na UDESC/CEART, faz parte do AYA Laboratório e do Grupo de Pesquisa Compor. Coordena o instituto “Armazém Coletivo Elza” em Florianópolis. É também membra da ABCA – Associação Brasileira de Críticos da Arte.



Ida Mara Freire
Escritora, pesquisadora e artista de dança. Autora de livros de contos e do e-book Diários Corpografias, desenvolve a noção de palavra dançada a partir de diários, leituras e do silêncio, articulando corpo, memória e experiência vivida. Seu trabalho constitui um gesto ético e poético comprometido com a justiça, a cultura da paz e a alegria possível na coexistência humana. Professora associada aposentada da UFSC, dirige a Potlach Editora & Ateliê de Arte Contemplativa.




Rita Oyakanmi
Artista visual multimídia e graduanda em Artes Visuais pela UDESC, licenciada em Lestras pela UENP. Desde 2022 participa de exposições e mostras em Santa Catarina, São Paulo e Maranhão. Foi integrante do Programa de Residência Pedagógica em Artes Visuais do CAPES. Suas obras abordam diversos temas que refletem sua vivẽncia como mulher negra de Asè.




Cláudia Mortari
Historiadora, professora de História da África na UDESC e diretora do Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED/UDESC). Coordena projetos sobre Estudos Africanos e decolonialidade. Desde 2019, integra a Comissão de Ações Afirmativas e o Laboratório e Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais (AYA).

Dia 07/05 (quinta-feira)

Manhã
8h30 às 12h00 Simpósios Temáticos
Nas salas 108, 202 e 206 – acesse aqui para mais informações sobre os Simpósios
10h às 17h Feira do Armazém – Coletivo Elza
Local: Hall da FAED-UDESC

Noite
18h30 às 20h30: Diálogos de Encerramento: Justiça racial, território e tecnologia
Ementa: O uso das novas tecnologias (IA’s, bolhas algorítmicas, vigilantismo digital e mercantilização decodificada, etc.) como mecanismo de atualização da dominação pela via imperialista, neo-colonial e racista tem criado uma série de perplexidades que precisam ser respondidas com a “digitalização” das teorias contra-hegemônicas. O colonialismo digital, colonialismo de dados, racismo algoritmo tem sido algumas das respostas que buscam compreender como estes sistemas interligados de opressão e exploração se conectam com as lutas que se colocam também neste universo do digital. Decodificar estes processos é necessário não só para a compreensão de como as práticas antigas de espoliação e divisão “norte-/sul” são atualizadas por novos mecanismos de poder, mas também para a construção de formas de resistência que dê conta destas novas dinâmicas.

Renato Ramos
Representante do núcleo de tecnologia do MTST




Marcello Assunção
Professor Adjunto de Educação das Relações Étnico-Raciais (UFRGS/FACED, 2021). Coordenador do Núcleo em Educação das Relações Étnico-Raciais (NERER) e membro da rede de historiadorxs negrxs.

Comissão Organizadora

Dra. Claudia Mortari – UDESC/FAED/AYA
Dr. Filipe Noé da Silva – UDESC/FAED/AYA
Dra. Juliana Crispe – UDESC/FAED/AYA
Dra. Tathiana Cristina da Silva Anizio Cassiano – UDESC/FAED/AYA/GT DE HISTÓRIA DA ÁFRICA SC
Ms. Fabio Amorim – UDESC/FAED/AYA
Dr. Marcello Felisberto Morais de Assunção UFRGS/NERER
Dr. Hector Rolando Guerra Hernandez – UFPR/NEDIB
Dra. Michelle Maria Stakonski Cechinel – UDESC/FAED/OBSERVATÓRIO DAS MIGRAÇÕES DE SANTA CATARINA/GT DE HISTÓRIA DA ÁFRICA SC
Doutorando William Felipe M. Costa – UDESC/FAED/AYA
Doutoranda Bruna Benjamin de Andrade – UDESC/FAED/AYA
Mestranda Iara Silva Cassiano UFSC/CFH/AYA
Mestranda Luiza Ferreira da Silva – UDESC/FAED/AYA
Graduanda Helena Bett Hansen UDESC/FAED/AYA
Graduando Felipe Casanova da Silva UDESC/FAED/AYA
Graduando Vitor da Rosa UDESC/FAED/AYA
Graduanda Mariana Chagas UDESC/FAED/AYA
Mestrando Tauan Gon UDESC/CEART/AYA
Graduanda Mirele Vitoria Oliveira Cardoso UDESC/FAED/AYA

Comissão Científica

Dr. Hippolyte Brice Sogbossi – Universidade Federal de Sergipe- (UFS)
Dr. Mahfouz Ag Adnane – Professor visitante no Departamento de História da Arte – UNIFESP
Dr. Joaquim Paka Massanga – ISCED-Cabinda/UON/Angola
Dr.José Rivair Macedo – UFRGS
Dra. Ana Rita Santiago – UNEB
Ms. Maria Helena Tomaz – UDESC/NEAB
Dr. Hector Rolando Guerra Hernandez – UFPR
Dr. Marcello Felisberto Morais de Assunção – UFRGS/NERER
Dra. Cláudia Mortari – UDESC/FAED/AYA
Dra. Tathiana Cassiano – UDESC/FAED/AYA/GT DE ÁFRICA
Ms. Fábio Amorim – UDESC/FAED/AYA
Dr. Felipe Nóe da Silva – UDESC/FAED/AYA
Dra. Michelle Maria Stakonski Cechinel – UDESC/FAED/OBSERVATÓRIO DAS MIGRAÇÕES/GT DE ÁFRICA
Dra. Eufémia Vicente Rocha – Universidade de Cabo Verde
Dra. Rosa Maria Martins da Cruz e Silva – Universidade Agostinho Neto/PALOP
Dra. Cristian Souza de Sales – UNEB
Dra. Patricia Teixeira Santos – UNIFESP
Dra. Fernanda Oliveira – UFRGS

Organização:

UDESC – FAED

AYA Laboratório

UFRGS

NERER – Núcleo de Educação das Relações Étnico-raciais

NEDIB – Núcleo de Estudos e Debates sobre Intérpretes do Brasil

UFPR

Apoio:

DEX – Direção de Extensão, Cultura e Comunidade

Observatório de Migrações de Santa Catarina

Cátedra Sérgio Vieira de Mello

UDESC – CEART

Programa arte menor

NUDHA – Núcleo de Diversidades, Direitos Humanos e Ações Afirmativas

URCA – Universidade Regional do Cariri

NZINGA – Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados na Arte

GT História da África SC

Link’ Art Áfricas

Armazém – Coletivo Elza

Fundação Cultural BADESC