Patrícia Ferreira Pará Yxapy – Palestrante no 2° Encontro Internacional Pós-colonial e Decolonial

A cineasta e professora Patrícia Ferreira Pará Yxapy nasceu na vila de Kunhã Piru, município de Missiones, Argentina. Indígena Mbyá-Guarani, mora em Koenju, aldeia a 30km do município de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul. Patrícia vem conquistando espaço e demonstrando sua potência em produções audiovisuais únicas, sendo uma das co-fundadoras do Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema em 2007. Vem participando de mostras e festivais de cinema no Brasil e no mundo: o Cabíria Festival, onde diversos filmes que ela esteve envolvida foram transmitidos, o Festival de Berlim, onde foi transmitido seu documentário Carta de uma Mulher Guarani em Busca de uma Terra Sem Mal (2020) e em diversos outros como o American Native Film Festival, o forumdoc.bh, Lugar do Real, Berlinale, FINCAR, etc.

“De uns anos para cá eu comecei a trabalhar a espiritualidade, tentando entender também um pouco através da minha mãe. É super importante esse entendimento sobre a espiritualidade, a força, a fala. A partir do momento que você vai ficando mais velho você tem essa necessidade de aprender a fala mais poética. Eu comecei desse pensamento a partir para conversar, para trabalhar essas imagens através da minha mãe. É uma aprendizagem para mim também como mulher. A partir disto eu começo a me auto-reflexionar.” 

Autoria Indígena: Patrícia Ferreira

“Teko Haxy”, de Patrícia Ferreira (Pará Yxapy) e Sophia Pinheiro, apresenta a experiência do encontro entre duas mulheres que se filmam. O documentário experimental ancora-se na relação de duas artistas, uma cineasta indígena e uma artista visual e antropóloga não-indígena.

Patrícia Ferreira – Encontros de Cinema (2016)

“De origem Guarani Mbya, a cineasta Patrícia Ferreira entrou em contato com a produção de vídeos após participar de uma oficina do projeto Vídeo nas Aldeias. Depois de algumas produções em parceria, dirigiu seu primeiro filme sozinha: o documentário retrata o cotidiano de sua mãe e de sua filha em uma região de fronteira. Segundo ela, os filmes servem de espelho para que os indígenas possam refletir sobre a própria cultura.” 

Produções Cinematográficas:

“Teko Haxy – ser imperfeita”

Um encontro íntimo entre duas mulheres que se filmam. O documentário experimental é a relação de duas artistas, uma cineasta indígena e uma artista visual e antropóloga não-indígena. Diante da consciência da imperfeição do ser, entram em conflitos e se criam material e espiritualmente. Nesse processo, se descobrem iguais e diferentes na justeza de suas imagens.

Assista o filme gratuitamente pela plataforma EMBAÚBAPLAY.

Bicicletas de Nhanderu

No caminho com Mario

Desterro Guarani

PARA SABER MAIS:

Leia também o artigo “Fazer filmes e fazer-se no cinema indígena de mulheres indígenas com Patrícia Ferreira Pará Yxapy” de Sophia Ferreiro Pinheiro, co-diretora, amiga de longa data de Patrícia, doutora em cinema e audiovisual nos diz:

 “por meio do cinema, Patrícia performa a sua auto-etnografia e auto-mise-en-scène, manipulando o documentário indireto enquanto agente histórica, ou seja, escolhe os meios e as formas de se mostrar, exercendo um espaço de liderança por meio de seu trabalho que tensiona alguns processos da produção artística hegemônica”

AYA LABORATÓRIO

Laboratório de Estudos Pós-coloniais e Decoloniais – AYA