Adriana Maria de Souza,PUC-SP, 2017
O objetivo desta pesquisa é de que forma a população composta por africanos e afros brasileiros em Desterro (SC), especialmente as mulheres, benzedeiras, rezadeiras e curandeiras que se utilizavam dos conhecimentos ancestrais, para as práticas de cura entre 1844 a 1889 em Desterro (SC). Período este, em que estavam em voga os códigos de postura, os termos de bem viver em comunhão com o olhar médico higienista e o desejo de
modernizar por parte das elites políticas locais, com a intenção de controlar as populações pobres e, consequentemente, as chamadas práticas de cura desenvolvidas pelas populações de origem africana. O Império e o início da República, com seus ideais de modernização, higienização e combate à insalubridade, pautados no saber absoluto da medicina, também tentaram regular as práticas chamadas de ′′feitiçarias”. Os inúmeros trabalhos que abordam a temática de curadores e benzedeiras em Santa Catarina, salvo poucas exceções, têm como enfoque principal, em sua maioria, mulheres brancas e supostamente descendentes de açorianas. A presença africana e suas práticas de cura ligadas ao atendimento aos doentes aparecem em segundo plano. Por esse motivo, esta pesquisa pretende abordar estas práticas presentes em Desterro e seus desdobramentos. Utilizamos como principal fonte de pesquisa, anúncios de jornais locais, inventário, ofícios e correspondências trocados entre a administração da província catarinense e o império, ligados às práticas de cura e rezas na ilha de Santa Catarina.
Palavras-chaves: História; Práticas de Cura; Africanos e afros brasileiros; Benzedeiras; Desterro.




