A REDE AYA – ESTUDOS INDÍGENAS é um grupo voltado ao desenvolvimento de ações conjuntas e projetos de pesquisa e extensão relativos às populações indígenas no passado e no presente. As ações do grupo estão embasadas nas perspectivas dos estudos decoloniais, buscando não só reconhecer e problematizar a persistência de óticas eurocêntricas ligadas à colonialidade, mas compreender a necessidade de abordagens e de epistemologias comprometidas com perspectivas indígenas de Abya Yala.
Nesse sentido, é pontual considerar que a REDE AYA – ESTUDOS INDÍGENAS constitui-se como proposta iniciada no cenário acadêmico em diálogo com instituições e setores vinculados aos movimentos sociais e às esferas de ação política, reconhecendo como indissociáveis os campos acadêmico e político e expressando o compromisso de estudiosas/es/os com as populações originárias na edificação de saberes e no reforço das lutas indígenas contemporâneas.
OBJETIVOS
Objetivamos com a REDE AYA – ESTUDOS INDÍGENAS promover ações conjuntas entre pesquisadoras/es de história(s) e cultura(s) indígena(s) a partir do desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão decorrentes de abordagens e temas comuns à rede;
Objetiva-se, também, a realização de reuniões, encontros, congressos e intercâmbios de docentes e discentes para trocar reflexões em torno de estudos indígenas, bem como estimulá-los nas instâncias políticas e acadêmicas em âmbitos regionais, nacionais e internacionais;
Mais especificamente, objetiva refletir sobre as formas de linguagem utilizadas pelos indígenas para contar suas histórias. Analisamos, nesse sentido, interpretações históricas em audiovisuais, literatura e arte indígena contemporânea. Refletindo, por exemplo, sobre como a territorialidade, a espiritualidade e a educação se articulam com o discurso histórico e suas lutas contemporâneas.
Por fim, buscamos construir possibilidades de uso de produções indígenas na educação escolar indígena e na educação básica, com intuito de colaborar para a implementação da Lei 11.645/08.
JUSTIFICATIVA
A observação das relações sociais no Brasil denuncia a existência de atitudes racistas da população não-indígena diante da indígena. Populações originárias são subestimadas, o que inviabiliza sua presença e importância na sociedade passada e atual. Os currículos escolares de tradição eurocêntrica, que por vezes excluem reflexões acerca da História dos Índios no Brasil, dificultam ainda mais o entendimento dos papéis de sujeitos indígenas na formação da sociedade brasileira. O sancionamento pelo governo federal da Lei 11.645/08, portanto, representa o rompimento do silêncio oficial sobre a questão. A forma estereotipada ou a ausência da temática indígena nos materiais e nas atividades educacionais devem ser combatidas, sendo necessárias ações que possibilitem uma inclusão escolar e histórica. Torna-se necessário o planejamento de ações que efetivem a implementação da lei, transformando os currículos com base no conhecimento histórico. Se apropriar, portanto, de conteúdos relativos à temática indígena é importante, porém, mais do que isso, a inserção de perspectivas indígenas no ensino é fundamental para a prática de ensino de história.
Nesse sentido, as ações da REDE AYA – ESTUDOS INDÍGENAS busca visibilizar concepções históricas indígenas e seu jeito de contá-las, para além da escrita. O compartilhamento de histórias contidas em suporte audiovisual, por exemplo, tem como objetivo refletir sobre versões complexas e plurais frutos das culturas indígenas, formuladas a partir de seus próprios olhares. Entendemos que esse é um caminho importante para a construção da diversidade praticada, rumo ao que poderíamos chamar de um “equilíbrio narrativo”, onde estas populações deixam de ocupar espaços predeterminados nas narrativas sobre o passado para tornarem-se sujeitos ativos não só da história, mas de suas formas de fazer e contar. Além disso, a linguagem audiovisual incorpora dimensões da cultura, muitas vezes excluídas do texto acadêmico, como o gesto e a corporalidade. Ao nosso ver, a implementação da lei 11.645/08 depende de uma compreensão de histórias e culturas indígenas a partir de produções indígenas.
O estudo da História Indígena, portanto, é de suma importância para refletir sobre a História do Brasil e para combater ações discriminatórias diante das populações originárias. A implementação da lei 11.645/08 não significa apenas a inclusão de conteúdos acerca da temática indígena no currículo, mas sim, a reformulação dos conteúdos e das práticas didático-pedagógicas. Isto significa que é preciso repensar o papel e a responsabilidade da escola na transformação social e individual do educando e, portanto, como veículo fundamental instigador de mudanças nas maneiras de pensar e de agir tanto de indivíduos em particular quanto de instituições diversas. Isso não pode ser feito sem o conhecimento histórico, inclusive aquele produzido pelos sujeitos que foram invisibilizados ao longo da história, nesse caso, dos/as indígenas.
PESQUISADORAS/ES E INSTITUIÇÕES CONFIRMADOS
Profª Drª Luisa Tombini Wittmann (Universidade do Estado de Santa Catarina)
Cacau Moraes (Graduanda – Departamento de História /Universidade do Estado de Santa Catarina)
João Gabriel Santos Pinto (Graduando – Departamento de História /Universidade do Estado de Santa Catarina)


