Aya Entrevista

A ação AYA-Entrevista, coordenada pela professora Dra. Tathiana Cassiano integra o Programa de Extensão Histórias Africanas e Indígenas: olhares e práticas na educação. A ação tem como objetivo a produção de uma série de produtos em formato audiovisual, como entrevistas com diferentes pessoas convidadas, diversas em suas trajetórias, produções de conhecimento e ações. Professores, artivistas, estudantes, integrantes de movimentos sociais de diversas áreas do conhecimento, cujas discussões atravessam teorias e práticas pós-coloniais e decoloniais. Cada episódio tem como proposta uma conversa na qual os entrevistados narram suas trajetórias, as ideias que sulearam suas produções, seus sonhos e projetos. Constitui-se, portanto, um material audiovisual para o compartilhamento de conhecimento, práticas e vivências que integram redes de saberes, sejam elas acadêmicas ou não, no âmbito nacional e internacional. É uma ação de extensão pensada como lugar de pesquisa e qualificação integradora de diversos campos do conhecimento. Em diálogo com os campos pós-coloniais e decoloniais, a produção do Aya-Entrevista inspira-se naquilo que o intelectual argentino Walter Mignolo conceituou/categorizou como Aesthesis Decolonial.

A palavra Aesthesis é compreendida pelo autor como “sensação”, “processo de percepção”, “sensação visual”, “sensação gustativa” ou “sensação auditiva”, um entrecruzamento de sentidos e sensações, que foi aproveitado como figura retórica no modernismo poético/literário (Mignolo, 2010). O questionamento do autor se direciona para a operação cognitiva da colonização sobre a Aesthesis para “Estética” e a arte, pois a Aesthesis é um fenômeno comum que ocorreu em todos os organismos presentes nas sociedades, porém a Estética é uma versão teórica particular, Mignolo ainda chama atenção para a retórica da modernidade que cria expectativas do que se deve saber e sentir. São expectativas naturalizadas que operam com a colonialidade do ser e do sentir (aesthesis) e do saber (epistemologia), (Mignolo, 2010).

A categoria de Aesthesis Decolonial vem como proposta de um movimento de desobediência epistêmica e institucional, pensando a estética como abertamente política e descolonizadora, bem como a inversão do papel que o Estado-Nação e suas instituições podem realizar na esfera pública e principalmente na educação (Mignolo, 2010). No Aya-Entrevista, o audiovisual surge como uma democratização do acesso aos diversos conhecimentos que fazem e praticam a desobediência descolonizadora.

Referências
AYA – LABORATÓRIO DE ESTUDOS PÓS-COLONIAIS E DECOLONIAIS. AYA – Laboratório de Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais. Disponível em: https://ayalaboratorio.com/. Acesso em: 09 set. 2026.
Mignolo, Walter (2019). Reconstitución epistémica/estética: la aesthesis decolonial una década después. Calle 14: revista de investigación en el campo del arte 14(25). pp. Xxx- DOI: https://doi.org/10.14483/21450706.14132